A cidade de São Paulo tem 454 anos. Como uma dama acolhedora, que com sua garoa abençoou tantos povos, ela pede passagem para ser feliz.
Mesmo com Beethoven soando impunemente a toda hora no caminhão do gás, mesmo com garranchos dos meninos desavisados encobrindo suas fachadas, seu transporte caro e moroso, mesmo com a frieza de quem a ignora, ou com os desmandos de quem não a conhece, ainda assim ela caminha com elegância.
Porque acima desses, os apaixonados, que brigam por ela, que saem a passeio e não vêem a hora de voltar e, há os que permanecem ali num feriado pela paz da ocasião.
O índio teimosamente ainda resiste e mantém aldeias na metrópole. Tem a Reserva do Pico do Jaraguá e duas comunidades na zona sul, Parelheiros, você sabia? Que tal lutarmos para entendê-los e preservá-los? O negro ilumina a cidade insistindo em ser alegre. Ele é o rei, ele é o samba, a religião e a dor. Como seria sem ele?
Estrangeiros provaram dessas paragens banhando-se nos rios, que hoje choram com sede da boa água. Mas ela virá! Os vitrais aguardam olhares curiosos. Riqueza e pobreza dançam a melodia desigual.
Cruzamos a cidade, enlouquecidos todos os dias como a imitar o Trópico de Capricórnio. Cidade dos cafés e dos automóveis. O paulista segue em busca do ouro, mas vive dançando o forró, o rock e ouvindo óperas.
As ruas da capital têm nome indígena ou de muitos santos, Como pode ser ruim morar onde tem o Viaduto do Chá, Largo do Tesouro, Ladeira da Memória, Bairro da Luz, Rua da Glória, Bairro da Saúde, Casa Verde ou Campo Limpo? Paulistas interessantes gostaram da cidade como Mário de Andrade, Charles Miller ou o ítalo-paulista Victor Brecheret.
Como será o futuro dessa dama, quem cuidará do futuro das crianças que perambulam na Paulicéia, quem olhará por suas esquinas e esculturas? São tantas colinas nessa São Paulo. A dama alimenta a todos com sua rica gastronomia.

Venha à cidade, paulistanos são gentis. Venha às margens do Ipiranga, veja as azaléas, veja o rio que não corre pro mar, conheça seus centros culturais, os Shoppings, os Estádios de Futebol, as Escolas de Samba, o Parque da Luz, a Estação Julio Prestes.

Que bom dar uma volta de escuna na Represa Guarapiranga, saborear pastéis com garapa nas feiras livres, perceber as estrelas do Planetário, andar a cavalo no Parque da Água Branca e ouvir os muitos pássaros da cidade.
A dama e todos nós que olhamos por ela, convidamos você para um café!
