Na cidade de São Paulo, marcada pela presença dos indígenas da nação Guarani, há exemplos de ruas e bairros cuja denominação foi dada por eles, como: Guarapiranga, Morumbi, Jabaquara, Pacaembú, Tamanduateí, Tietê, Tucuruvi, Mooca, Jaraguá ou Tatuapé.

Mesmo assim ao depararmos com a presença desse habitante na metrópole, mal sabemos como cumprimentá-lo. Quando viajamos a outros países, ao menos uma forma de abordar alguém usamos, e aqui não ocorre o mesmo com os primeiros habitantes.

Veja um pouco dessas formas de cumprimento:

  • Dereco Porã (como vai?)
  • Aico Porã (tudo bem)
  • Txe Adjuma (vou indo)
  • Tereô (está bem)

(Fonte: Karai-Mirim ou Isac da Reserva Guaraní - Pico do Jaraguá)

A população indígena, em 1500, foi estimada em cinco milhões de indivíduos, formando nações com várias línguas e costumes. Europeus buscavam suas especiarias e o corante vermelho contido na árvore Ibirapitanga (pau-brasil).

O que diferenciou o viajante do indígena foi a necessidade de estocar alimentos. Os povos indígenas cultivavam mandioca, milho, amendoim, algodão, abóbora, abacaxi, caju, maracujá e também o tabaco. Havia muito peixe, caça e mel.

Eram nômades, mudavam-se quando suas casas envelheciam a cada três ou quatro anos. Buscavam também o lugar sonhado como perfeito. Daí não acumularem bens, somente seus tucanos e papagaios. Utilizavam muito as folhas da palmeira, para cobrir as moradias . E é claro usavam o guaraná e a erva-mate.

A nação tupi ocupava todo o litoral brasileiro. Desse tronco eram os tupinambás, aimorés, guaranis, tamoios, carijós. Representantes da Companhia de Jesus vieram catequizá-los e com o movimento bandeirante por volta de 1580, a saga pela captura e escravidão teve início.

Por essa perseguição, já em 1632 o vice-rei do Perú chega a propor a destruição de São Paulo. Mas muitos hábitos do europeu foram mudados ao conviver com o nativo, como tomar vários banhos e utilização dos frutos da terra.

O ritual de aprendizagem à vida adulta diferencia a cultura indígena dos brancos mostrando caminho aos jovens. Outra diferença é no respeito com os velhos da comunidade.

Na cidade de São Paulo podemos ver alguns exemplos de homenagem à figura do índio em forma de monumentos:

  • Índio Caçador - João Batista Ferrai, 1939, Av. Vieira de Carvalho, obra realizada a partir da solicitação do prefeito Francisco Prestes Maia.
  • O índio e o Tamanduá - Ricardo Cipicchia, 1940, Praça Marechal Deodoro, adquirido pelo prefeito Francisco Prestes Maia.
  • Monumento às Bandeiras - Victor Brecheret, Parque Ibirapuera, 1953. Tem à frente duas figuras a cavalo, uma é o chefe português e outra o guia índio. São 37 figuras no total.

Algumas das palavras que nossa cultura assimilou da nação guaraní:

  • catapora
  • mirim
  • mingau
  • arapuca
  • peteca
  • cutucar

Nesta grande cidade, sou europeu + sou índio + sou africano = sou paulistano.

Sou um pouco guarani = sou Butantã, Pacaembú, Morumbi, Tatuapé, Sapopemba e Tietê.