Nos primeiros meses do ano chove muito. Estamos na época das cheias.
Quando chove em São Paulo, vem o pensamento: a cidade tem rios e eles estão transbordando! Como introjetá-los em nossa vida, como chegar à margem sem ser marginal. As águas, que um dia transportaram homens em busca de riquezas, nem sequer têm um porto seguro. A água passa pela cidade como se atravessasse um campo em guerra.

Onde está o Tamanduateí, na Avenida do Estado? Escondido, envergonhado. E nós, mais ainda. O rio Tietê, que não vai ao mar, mas que penetra em outras paragens, milagrosamente segue melhorado.
E agora se fala em epidemia de dengue.
Nossa higiene regrediu aos níveis do século XVIII. Não há barreiras para o lixo: todos jogam; sejam ricos, pobres, letrados ou analfabetos. Difícil saber onde anda o respeito, coisa rara. Seja pelo humano ou pela natureza. Tanto é possível tomar uma cerveja em local repleto de lixo pelo chão, como jogar detritos nos córregos, através das janelas de ônibus e automóveis.
Temos muito que aprender com nossas nações indígenas. Será que teremos água potável por muito tempo? Será que faremos nossa parte? Desde o “pedir licença” até o “obrigado”, até o excesso de sacos plásticos que jogamos.
Tudo leva a um entendimento: como faz falta a garoa constante, a dominar o planalto e refrescar nossos pensamentos.