A cidade de São Paulo, antes aldeia de Piratininga, cresceu espantosamente no início do século XX.
O verde, que teima em resistir, sempre fez parte de sua história. Seja pela presença indígena e sua alimentação de subsistência ou no cultivo trazido pelos negros, imigrantes e migrantes.

Durante os séculos XVIII e XIX e no início do século XX, os jardins de São Paulo eram elogiados por viajantes. Citavam a presença de rosas, cravos vermelhos, papoulas e o favorito de todos: jasmim.
Em seu livro “Notas de Viagem”, de 1828, Firmo de Albuquerque Diniz descreveu: “há pequenas carroças para condução de hortaliças, de frutas e flores. Não há chácara que não tenha plantas novas, além da novidade de rosas outrora aqui desconhecidas, vêem-se azáleas, miosótis, begônias e outras, fazendo a belezas de jardins e salas”.
Jorge Americano escreveu “São Paulo de 1915 a 1935” onde cita: “quem olhar São Paulo em 1922 verá uma cidade extensa, de casas térreas ou sobrados, com jardins floridos de primaveras, hortências, bicos de papagaio, plátanos, girassóis, damas da noite, violetas, rosas, cravos e magnólias”.
As palmeiras imperiais, no Vale do Anhangabaú, foram plantadas no início do século XX e a azaléa, desde 1969, é a flor-símbolo da cidade.
Hoje são trinta e cinco parques, mas ainda há necessidade de muitos outros. O Jardim Botânico com seus bosques e orquidário, o Parque da Cantareira, assim como o Viveiro do Parque do Ibirapuera tentam suprir carências de vegetação. Pássaros são muitos e insistem em permanecer na cidade que apesar de tantas dificuldades pode até apresentar-se como cenário a um romance.

Questão colocada por Jost Krippendorf, no livro Sociologia do Turismo: “(…) descobrir a própria cidade, que em geral os estrangeiros conhecem melhor do que nós. Descobrir caminhos para passear pelos parques. Não poderiam exercer uma influência no cotidiano, superior ao da estadia curta num universo desconhecido?”.