Tebas, o artesão que realizou várias construções, teria vivido no século XVIII, com obras na pequena vila de São Paulo. Fazia tudo com qualidade. Muitos ignoraram sua existência, talvez por ser negro e sem formação. Realizou reformas em igrejas e era especialista em construir chafarizes.

Camelôs na cidade de São Paulo não são recentes. Na década de 30 lá estavam eles de fraque, cartola e calça listada anunciando produtos. Havia o gigante da perna de pau gritando a liquidação, os vendedores de cintas para calças, descascadores de batata ou laranja, e já dificultavam trânsito dos pedestres. O iô-iô, no início de 1932, era vendido pelos camelôs a um ou dois mil réis.

Um importante jogo de futebol, o primeiro da cidade, foi realizado na chácara de Charles Dulley, primo do paulistano Charles Miller, filho de ingleses. A área da disputa foi na região da Luz, bairro do Bom Retiro, onde hoje está a Rua Três Rios. O fato aconteceu no final do século XIX.

Como imigrante em busca da liberdade que não encontrava em sua terra, o médico e jornalista Dr. João Batista Líbero Badaró, chegou de Gênova combater os corruptos, lutar pela liberdade de imprensa e pelos oprimidos. Como um nacionalista liberal, com ares de republicano, viveu na cidade de São Paulo por apenas quatro anos. Fundou o jornal “Observador Constitucional”, onde denunciava desmandos, principalmente do ouvidor Cândido Japiaçú. Numa noite de 1830, foi cercado por matadores contratados por aquele político. Sobreviveu por alguns dias e revelou a trama. Antes de morrer disse: “morre um liberal, mas não morre a liberdade”. Mais tarde, a Rua Nova de São José, onde tinha moradia, recebeu seu nome: Líbero Badaró.

Estudantes do curso jurídico do Largo de São Francisco tinham uma sociedade secreta, a Associação dos Invisíveis. Foi criada pelo professor Julio Frank. Este era um alemão e tinha a religião protestante, mas sempre recebeu apoios como o do professor Paula Souza. Isto porque suas idéias mostravam-se democráticas ao país. Quando morreu, não pôde ser enterrado no cemitério católico. Por isso, os estudantes o colocaram na própria faculdade.

O compositor Carlos Gomes transitava pelos sons erudito e popular. Em 1857, podia ser encontrada à venda, música de sua autoria chamada “A Caiumba”, que era uma dança de negros para piano. Em 1859, freqüentando a capital paulista com seu irmão Santana Gomes, hospedou-se em república dos estudantes na Rua Nova de São José (hoje Líbero Badaró). Esse local era considerado de luxo porque tinha um velho piano. Durante sua estada, ele compôs, com o estudante Bittencourt Sampaio, a modinha “Quem sabe?” (tão longe de mim distante…).

Em 1860, uma boa opção de lazer era tomar a embarcação que fazia passeio pelo Rio Tietê. Chamava-se barca “Santa Cruz” e atracava na Ponte Grande (hoje das Bandeiras). Seguia rio acima e ainda contava com o atrativo de ter música durante o percurso.

Até o início do século XX, ainda era possível a prática da caça nos arredores da cidade de São Paulo. O poeta Castro Alves foi um adepto das caçadas no Brás, quando esteve no curso jurídico. Podia-se apanhar, com certa facilidade, pacas, perdizes, veados, tatus e lagartos.