Onde fica o Brasil? Quem tem boca vai aonde?
Se alguém cruzar esse país, perceberá a dificuldade de sinalização, reflexo de uma letargia difícil de explicar por quaisquer que sejam os argumentos. Se o motivo for financeiro, basta usar a criatividade, seja de artistas ou de empresas locais. Se for o desconhecimento da importância de tal serviço, basta se perder e perceber quanto tempo gastou buscando a saída. É só estar numa cidade desconhecida para ter o sentimento de impotência diante da falta de orientação.

Quem mora no local deve imaginar que os viajantes também conhecem seu bairro, sua cidade, sua rua. Nas rodovias principais seria brilhante se houvesse uma referência que cidade está mais próxima e qual lugar se está atravessando. Além do nome da localidade pode-se narrar o que de principal importância contém o município, seja no aspecto turístico ou para informação geral.
Cada região pode criar sua propaganda, porque atualmente a única palavra constante nas placas de sinalização é “lombada”. As estradas podem até estar em bom estado, mas a conservação, o cuidado e a limpeza deixam muito a desejar. Porque será tão difícil a colocação de uma placa dizendo: “Você está em tal cidade, seja bem-vindo!”, ou “Aqui pode ser encontrado tal artesanato, tal fruta, cachoeira, rio, restaurante, hotel, museu, parque, igreja, área de preservação, gente feliz, animais exóticos, sei lá mais o quê?”.
O visitante fica desorientado diante dessa ausência de informações e quem perde mais é a população local. Esse turista pode ser de outro Estado, de outro país ou mesmo da cidade vizinha. Ele merece informação! A preservação tão necessária ao meio ambiente, ao patrimônio, às culturas locais, só pode ser conseguida se houver divulgação, se houver aviso, placa e folheto explicativo.

Será que custa pedir tanto? Que venham as placas, se acontecer uma certa poluição visual, pode ser corrigida depois, mas venham com dados, venham com detalhes de tudo que for possível. Porque queremos saborear, porque o país precisa, porque todo mundo quer ser valorizado, conhecido. Quem não se comunica, prejudica!
Reter informação é querer ter o poder para poucos. Onde estão nossas riquezas, onde estão as danças, os artistas, os produtores rurais, a rica gastronomia, os músicos que o mundo todo admira?

Em São Paulo, grande metrópole, acontece esse fenômeno também. Claro que existe sinalização boa, mas quase sempre para os bairros centrais ou de bom poder aquisitivo. Tente ir a Parelheiros; achar a entrada da Estrada Turística do Pico do Jaraguá; o bairro Grimaldi ou a entrada do Parque Estadual da Cantareira. Busque as placas e verá que todos nós poderíamos cobrar mais informação adequada para esses e tantos outros lugares interessantes.